Balada de amor ao vento
Narrado na primeira pessoa, por uma mulher, o
romance da voz a uma personagem antes silenciada historicamente e denuncia a
condição inferior feminina em Moçambique, desconstruindo signos sócio culturais
em busca de discutir a realidade vigente e reconfigurando a identidade
nacional.
Esta
obra representa um marco na literatura moçambicana. Publicado em 1990, o
romance foi o primeiro no pais a tematizar o quotidiano do universo feminino evidenciando
signos sócio culturais que denunciam o lugar secundário reservado a mulher.
Balada de Amor ao Vento -Resumo
Sarnau
sente saudades da sua terra natal Mambone em comparação com a terra em que
reside actualmente, Mafalala. A saudade que Sarnau sente de sua terra deve-se
ao facto de ter sido lá onde ela conheceu o seu grande amor de juventude, o Mwando.
O rapaz
pelo qual ela se apaixonou e tivera um namorico com ela quisera ser padre e
depois de se apaixonar fora descoberto pelo padre e expulso do colégio de
padres que frequentara.
Mwando
não teve dificuldades para se comportar com os jovens da sua aldeia e com Sarnau,
ao lado parecia que o sol não desaparecia para que eles pudessem namorar.
Mwando
quebrou o juramento que fizera de não acreditar em almas, fê-lo porque dormiu
com Sarnau fazendo-a sua mulher e que estava apaixonado.
Mwando
andou um tempo sumido e reaparece quando Sarnau diz estar grávida. Nesse
momento ele diz que vai se casar com uma mulher que seus pais escolheram.
Sarnau dispôs-se a ser além da primeira esposa, mesmo assim, Mwando por ser
cristão não aceitou e na despedida Sarnau quase foi atacada por uma serpente.
Ficou sozinha e pensou em morrer. Caminhou para o lago onde tentou afogar-se e
foi salva por um pescador. Depois de um tempo Sarnau é lobolada por um futuro
rei com 36 cabeças de gado, daí ela fez parte da família Zucula.
Casou-se
com Nguila, que era o homem mais desejado por todas mulheres, teve um casamento
cristão, embora não tivesse sido baptizada.
Nguila
tinha 15 esposas. Depois de casada começou a ambicionar o poder da rainha e não
via a hora da sua morte para ficar com todo poder de soberana. A sua oitava
sogra contava-lhe histórias de feitiço que ali havia. Quando ela a abandona,
vai para o quarto e encontra seu marido na cama com outra mulher, nada podia
fazer, apenas chorar sem reclamar.
Sarnau e
Mwando encontram-se, Mwando pede desculpas e despede-se. Sarnau sente-se
arrependida de tê-lo deixado partir e corre à sua trás. Sarnau e Mwando fazem
amor e despedem-se.
Sarnau
pensa em cometer um adultério. Os dois encontram-se novamente na caverna. Sarnau
descobre que está grávida de Mwando, fica apreensiva com medo que o marido
descubra, mas o seu marido deu-a a noite de amor que a anos desejava.
A Phati
tentou matar Sarnau usando um feitiço, mas o seu marido descobriu, no sonho, e
espancou-a. Phati tomou um veneno para se matar.
Enfim,
nasce o menino, Sarnau sofre para ter o menino. Mais uma vez Sarnau e Mwando encontram-se,
Phati descobre tudo e conta ao rei. O rei fica desconfiado e diz a Sarnau que
ela e Phati devem beber o Wanga para descobrir quem fala a verdade.
Sarnau,
para não ser descoberta, junta suas
trouxas e foge com Mwando.
Em casa
de Maria, Mwando bebia Sura quando de repente chegaram três homens um dos quais
Nhambi que fora colega e amigo durante os ritos de iniciação. Mwando esconde-se
em uma sombra que depois o amigo foi se sentar também nela. Mwando decide
contar a verdade para Nhambi, este que depois de ouvir o arrependimento do Mwando
fez uma cara de nojo porque, segundo ele, arrependimento não é tolerável nos
homens. Nhambi conta que ele e os seus dois companheiros tem a missão de matar
o Mwando, mas Nhambi deixa Mwando voltar para casa para decidir sobre a sua
vida. Mwando expulsa Sarnau.
Mwando
foi atraído para uma armadilha pelo Sipaio que não gostou das declarações do
mesmo a quando da sua prisão. Foi condenado por ter dorrmido com a mulher do Sipaio,
andou triste, todos pensaram que era pela condição, mas ele chorava pela Sarnau.
Foi levado com outros como escravos. Durante os trabalhos forçados na floresta,
muitos morriam por picadas de cobras, ataques de hienas, leões e mais.
Quando
alguém morria era chamado o Padre Moçambique e o curandeiro Januário para
purificar as almas dos mortos. Um tempo depois, Mwando lia orações e mesmo
naquelas condições ele encontrou a felicidade porque depois de um tempo conseguira
satisfazer a ambição de usar a Batina Branca, Baptizar e Cristianizar. Fazia
missão aos domingos e algumas vezes a celebração de casamentos.
Suas habilidades
eclesiásticas foram aperfeiçoadas nas rocas onde os mortos eram frequentes.
Ganhou fama
e depois de um tempo Mwando é apelidado de Padre Moçambique. Depois de um tempo
os colonos reconheceram em Mwando o homem que precisavam, o purificador das
revoltas nas rocas. Ganhou um estatuto diferente embora escravo, e teve uma
casa independente, trabalhava pouco nas machambas, ocupando se em maior tempo
em rituais da igreja. Mwando continuou com os seus trabalhos da igreja e dispôs
o curandeiro Januário a largar dos espíritos. 15 Anos depois Mwando não era um rapazinho
de Mambone mas sim um homem adulto duro e maduro. Conquistou a confiança do Degredo,
fez uma pequena fortuna, conquistou uma barraca de cimento, vendeu tudo,
correram rios de lágrimas na sua despedida.
Desembarcou
na Baia do Espírito Santo vagueou em Lourenço Marques durante dias para
recobrar forças da viagem. Depois tomou um outro barco que o levou a
Vilanculos.
Em Vilanculos
procurou a casinha que fora seu ninho de amor com Sarnau e lá estava erguido um
armazém, de nada lembrava o ninho de amor, pensou que ele tivera voltado a
terra natal e ele também seguia a viagem de volta a Mambone. Como um ladrão, Mwando
esperou a noite para seguir ate sua casa, e onde encontra sua mãe já velhinha e
ela se encheu de felicidade, e ele procurou saber da sarnau, a mãe disse que
ela estava em Lourenço Marques a levar uma vida desgraçada e da mesma forma que
veio ele partira ao seu encontro.
Mwando e
Sarnau encontram-se em Lourenço Marques, Sarnau conta-lhe que a quando da sua
partida estava grávida de Mwando e que tem dois filhos. Sarnau não perdoa Mwando
por ter a abandonado e exige 24 casamentos para perdoá-lo, Mwando diz não ter
dinheiro para tal.
Sarnau
vai para casa e finge estar doente, Mwando bate a porta e Phati, filha de
Sarnau e Mwando, abre a porta e pergunta quem era o homem. O homem diz ser seu
pai e Phati, feliz, chama seu irmão João e juntos vão ao encontro de Sarnau.
Sarnau e Mwando decidem esquecer o passado e viver juntos.